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Oeoniella

Oenla. polystachysFigura 1 –flor, reparar no labelo, que rodeia a coluna e tem uma extremidade pontiaguda. Foto:  © Jaime Combadão.

Este pequeno género de orquídeas, contendo até agora apenas 2 espécies, foi proposto por Rudolf Schlecter em 1918, quando estava a fazer uma revisão sobre angrecoides (plantas com forma parecida com as plantas do género Angraecum). Estas espécies são Oeoniella polystachys e Oeoniella aphrodite.
A espécie mais distribuída e mais comum deste género também foi a que foi descrita primeiro pelo botânico francês Louis-Marie Aubert du Petit-Thouars, como Epidendrum polystachys – agora Oeoniella polystachys. É curioso salientar que este botânico era um aristocrata, que exilado em Madagáscar e ilhas próximas, devido à revolução francesa, se dedicou a estudar a flora da zona. Tal foi o seu sucesso, que descreveu numerosas espécies, novos géneros e conseguiu voltar para França no início do século XIX, com cerca de 2000 plantas. Posteriormente, tornou-se membro da Academia de Ciências e a maior parte da sua colecção acabou no Museu de Paris e parte dela em Kew.
Desde a designação inicial de Epidendrum, por Thouars, e até à revisão deSchlechter, esta espécie ainda originou publicação por outros autores, que lhe chamaram Aeranthes polystachya (1864), Listrotachys polystachys (1864), Beclardia polystachya (1880), Oeonia polystachya (1883), Angorchis polystachya (1891), Epidorchis polystachya (1891), Moxinus polystachys (1907). No entanto, foi como Oeoniella polystachys que reuniu o consenso da comunidade científica.

Listrostachys polystachys
Figura 2 – ilustração, da espécie Oeoniella polystachys, aqui descrita como Listrostachys polystachys (Rchb.f., 1864, em W.G.Walpers, Ann. Bot. Syst. 6: 909), onde se podem ver pormenores das diferentes peças florais. Fonte: www.botanicus.org .

O nome, tal como sugere, refere-se à grande semelhança de hábito vegetativo com algumas espécies do género Oeonia, mas as flores são diferentes e fáceis de identificar e por isso dificilmente estes géneros são confundidos se estiverem em floração. O labelo é trilobado, sendo que os dois lobos laterais rodeiam a coluna e o lobo médio apresenta um ápice pontiagudo. Têm um pequeno esporão que incha um pouco no seu término e que começa na base do labelo. Do género Angraecum, do qual também se aproxima em semelhança, difere no formato da coluna e nas polínideas estarem aderidas a um longo caudículo.

Oenla. polystachys raquis
Figura 3 – haste floral, repare-se no esporão, na parte de trás da flor, ao nível da base do labelo e de dimensões pequenas. Foto:  © Jaime Combadão.

A distribuição da Oeoniella polystachys é desde as florestas costeiras do Este de Madagáscar, às ilhas Comoros, Seychelles, Reunião e Maurícias. Esta espécie encontra-se em troncos e ramos, como epífita, em árvores isoladas e perto da costa e portanto, estão levemente sombreadas. Floresce entre Maio a Agosto, no seu habitat natural, em cultivo tende a seguir esse padrão, mas mais esbatidamente. A Oeoniella aphrodite encontra-se restrita às ilhas Rodrigues e às Seychelles e floresce em Junho. Também prefere vegetar ao longo da costa, a baixas altitudes, mas esta espécie é litófita, preferindo a sombra. Embora muito semelhantes, tanto na flor, como no hábito vegetativo, esta segunda espécie tem uma dimensão menor, ambas são plantas que emitem um cheiro agradável.

Oenla. polystachys planta
Figura 4 – planta, onde fica evidente a grande quantidade de raízes aéreas que são produzidas, bem como a ramificação do caule principal. Foto:  © Jaime Combadão

O cultivo é fácil, as temperaturas ideais são intermédias a quentes -15º-30ºc, luz difusa forte e boa humidade (55%-65%). Pode ser cultivada em vaso, numa mistura que drene muito bem, mas devido ao seu hábito de ramificar o caule e de ter muitas raízes aéreas, com o tempo torna-se difícil controlar o crescimento e a única forma de o conter de forma eficaz é montar a planta.

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