| voltar atrás | Boletim |
|
Mormodes warzsewiczii
Foto: © Jaime Combadão.O nome do género, Mormodes, vem de duas palavras gregas, que significam fantasma e em forma de. O nome refere-se, portanto, à forma rara e peculiar das flores, com a coluna torcida e aproximando-se do labelo, que também se encontra torcido e fortemente lobado. As flores deste género costumam ser perfeitas (têm os dois sexos), no entanto, há espécies que têm flores masculinas e femininas. Esta espécie, pelo que sei, apresenta flores perfeitas e nunca vi uma foto ou referência a flores masculinas ou femininas. O epíteto específico é o nome latinizado Warscewicz, que era um colector polaco da época. Esta espécie tem três sinónimos heterotípicos: Mormodes revoluta Rolfe, Mormodes wolteriana Kraenzl, Mormodes hirsutíssima F.E.L. Miranda, segundo os Kew Gardens. É uma planta pequena, dentro da gama de tamanhos das plantas da subtribo das catassetíneas, onde se insere. O seu habitat natural situa-se entre o México e o Peru, tipicamente em zonas quentes e húmidas, características de florestas de altitude baixa a média (vulgarmente abaixo de 1000 m). A probabilidade de haver polinização nestas plantas é bastante elevada, já que elas emitem compostos voláteis, com cheiro intenso, que atraiem as abelhas (Euglossini). Estas abelhas recolhem estas essências e usam-nas para, misturando com outros compostos, atraírem fêmeas da sua espécie. As polinídias são ejectadas quando o insecto polinizador toca na projecção situada no extremo da caliptra (cápsula que rodeia as polinídias), como se pode ver na foto com a flor em destaque.
É considerado por Fred Clarke como um dos mormodes mais fáceis de cultivar, o que nada faz diminuir a sua beleza, pelo contrário. O seu cultivo, como o dos mormodes em geral, é parecido com o da maioria dos catássetos, sendo um bocadinho mais exigente. A luz deve ser forte, mas difusa, devendo estar sempre aliada a um bom arejamento. A gama de temperaturas ideais ronda os 27°C de dia e os 15°C de noite, podendo aguentar maiores flutuações. No seu habitat está sujeito a chuvas frequentes ao longo do ano e, por isso, as regas devem ser frequentes, desde que as temperaturas rondem as referidas e a drenagem seja excelente. No Inverno, deve regar-se ligeiramente, de modo a nunca ficar seco, mas as regas devem ser bastante diminuídas se as temperaturas baixarem muito. Pode-se e deve-se adubar quando está na fase de crescimento vigoroso, com as regas ou adicionando adubo sólido a um canto do vaso. Se as plantas entrarem em dormência, perdendo as suas folhas e parando de crescer, então as regas devem ser quase cessadas, verificando apenas se os pseudobolbos não enrugam demasiado. Caso o enrugamento apareça, pode-se pulverizar os pseudobolbos ou então regar ligeiramente, dependendo se retirámos a planta do substrato ou não. Deixar a planta sem substrato, apenas num vaso sem nada, durante o Inverno, se ela estiver em dormência, pode ser uma boa forma de evitar o apodrecimento por temperaturas mais frias e alta humidade. Após a dormência, que em média dura de um a quatro meses, um novo pseudobolbo come¸ará a formar-se. Tem que se ter muito cuidado nesta fase, para não se molhar o rebento, porque apodrece facilmente, especialmente se ficar água dentro do tubinho formado pelas novas folhas. Assim que as primeiras raízes tiverem mais de 5 cm deve-se aumentar a frequência de rega até valores próximos dos de uma planta em crescimento pleno. Esta espécie, assim como muitas outras deste género, é epífita e gosta de ter como substrato madeira morta ou podre. Pode ser montada, mas aprecia um pouco de esfagno por cima das raízes. Como vaso, pode-se usar tanto um de plástico como um de barro, com uma mistura à base de casca de pinheiro e talvez algum material para reter alguma humidade se notar que o substrato seca muito rapidamente. O reenvasamento deve ser feito quando os novos rebentos começam a ter raízes. Pode aproveitar essa ocasião para dividir a planta, deixando um ou dois pseudobolbos adultos por cada divisão. Como as outras plantas desta subtribo, são afectadas por ácaros, que rapidamente, em condições de baixa humidade, podem danificar a maioria ou praticamente todas as folhas da planta.
Mormodes warzsewiczii, detalhes da flor.
Cultivo e fotos de Jaime Combadão
|
![]() |
Fórum |